quinta-feira, 12 de março de 2015

a marca da besta.

   Eram por volta de três e onze da madrugada quando o celular tocou, do outro lado a voz do sargento Gonçalves ecoava dura e reta, ele dizia que mais corpo havia sido encontrado naquele ano que havia começado ha alguns meses, era o ano de 2115 e a vida nunca valeu menos, o detetive Humberto Guedes era um dos poucos que trabalhava pensando em um futuro melhor pra todos, o estado maior precisava manter alguma ordem para que continuasse havendo sentindo em existir um estado e a policia tinha um papel importante nisso, "não é pelo sistema, é pelas pessoas" pensava o detetive todo dia antes de sair de casa, o sargento não deu muito detalhes sobre a cena do crime mas já havia lhe adiantado o que realmente era importante saber, mais uma vitima, mais um coitado, engolido pela selvageria daquele lugar. Pouco tempo depois da ligação o detetive se dirigiu ao local, chegando la o que encontrou lhe chocou mais do que pensaria, a vitima estava pendurada de cabeça pra baixo havia sangue por toda parte, seu torço estava aberto e seus órgãos haviam sido arrancados, logo abaixo do corpo havia um desenho estranho com hierógrafos impossíveis de serem identificados.
- o presunto ainda esta fresco. disse o sargento Gonlçaves se referindo ao tempo que decorrido desde o falecimento
- já conseguiram identifica-lo?
- era um traficantezinho de merda, desses que venderia a própria mãe pra salvar o seu pescoço, seu nome era Sergio mais conhecido como "olho", atuava ao redor da cidade velha e por algum motivo fugiu de lá e veio morar por aqui.
- parece que o motivo veio atrás dele.
- já é a decima vitima que encontramos nesse estado e ainda não temos uma unica pista do que esta acontecendo, que tipo de assassino faz esse tipo de coisa com a vítima? e por que esses desenhos estranhos? acho que estamos lidando com algum tipo de lunático megalomaníaco.
- vou ver se faço umas perguntas.
o detetive foi ate o apartamento vizinho e bateu na porta, do outro lado pode escutar alguém perguntando quem era, e o detetive disse que estava investigando uma cena de crime ao lado e precisava fazer perguntas, a porta fez barulho como se estivesse sendo destrancada e a figura que surgiu foi a de um homem muito alto, parecia ter mais de um e noventa, era negro e mal encarado.
- parece que o seu vizinho teve problemas e gostaria de saber o que seus vizinhos sabem
- não me envolvia nos negócios do olho, as pessoas que entravam e saiam de lá me davam arrepios e alem desse motivo estou procurando não me encrencar mais com a polícia, faço o que posso pra levar uma vida tranquila e ainda assim não consigo.
- sabe quem esteve por ultimo com ele?
- sinceramente não, acabei de chegar de uma viagem longa, trabalho como caminhoneiro e passo boa parte do mês fora.
- quais eram os negócios do olho? o que ele vendia?
nesse momento o homem pareceu bastante desconfortável e em seguida disse de maneira bem seca.
- ele vendia dm-9.
o dm-9 era uma droga rara de se encontrar, não era muito cara mas era bastante difícil de se conseguir, era um psicotrópico poderosíssimo, causava alucinações e estimulava o espasmos excessivos no sistema nervoso, alguns usuários chegavam a ter visões de entidades malignas de livros religiosos antigos, essa droga era conhecida como a droga da profecia, não por fazer parte de uma profecia real mas pelo fato de alguns de seus usuários parecerem profetas, o detetive encerrou a conversa e se pôs a interrogar mais pessoas, ninguém havia visto nada. de volta a U.S.M.O-CN (unidade de segurança e manutenção da ordem da cidade norte) o detetive se pôs a pensar nas mortes que vinham acontecendo, havia começado no final do ano passado quando a policia encontrou uma prostituta perto da cidade velha, sua caixa torácica havia sido aberta como uma lata de sardinha, as costelas foram arrancadas, e sua cabeça que fora decepada estava dentro do torso que tinha espaço por seus órgãos terem sidos arrancados, os mesmos desenhos e mensagens que falavam em linguagem profética sobre demônios e dimensões da dor o corpo apresentava também marcas de cortes de faca e marca de dentes, os exames de dna eram inconclusivos e as cenas nunca geraram nenhuma testemunha, "uma verdadeira bagunça" foi o que disse o sargento Gonçalves ao se deparar com a cena, a brutalidade desses assassinatos que vinham acontecendo estava começando a chocar mesmo uma sociedade tão violenta quanto a da cidade norte, todos esses fatos sobrevoavam a cabeça do detetive Guedes, "como pode isso acontecer sem deixar rastros ou testemunhas?
 
    Se havia um lugar por onde uma investigação poderia seguir seria na direção da unica pista que se tinha, a fabricação de dm-9, não deveria haver muitos laboratórios que fabricassem na região, foi buscar nos arquivos da polícia alguma ocorrência atras de informação de onde poderia se localizar um desses e durante a busca sua intuição lhe saltou os olhos, tinha um registro de dois anos antes de um chines chamado Yui No que morava centro da cidade, alem de sua fama de feiticeiro ainda estivera envolvido na fabricação de dm-9, mas que agora estava solto. "feiticeiro" pensou o Humberto enquanto o caso a sua frente ficava cada vez mais bizarro.

    Eram por volta de 5 da manhã quando detetive guedes chegou a casa Yui, sua casa ficava em cima de sua loja em uma parte do complexo de medicina "alternativa" do centro, muitas pessoas iam a região para procurar esse tipo de charlatão que diziam ter poderes mágicos em busca de cura, de amor, ou mesmo de cumprir com seu ódio e prejudicar alguém. O detetive não acreditava nessas bobagens, pensou muito em buscar ajuda quando sua esposa falecera vitima de um ladrão que disparou sem querer contra sua barriga, Humberto teve-a morrendo em seus braços, essa lembrança sempre trazia toda a sua dor consigo, "faço isso pelas pessoas e não pelo sistema" repetiu pra si mesmo enquanto descia do seu veiculo fitando a loja que ainda estava fechada, se encostou de frente a loja e acendeu seu cigarro, cinco minutos depois escutou os primeiros estalos de que alguém estava abrindo a loja, assim que o portão foi erguido pode ver a figura diminuta do Yui, aparentava ter entre 60 ou 70 anos, tinha uma barba longa que mais parecia de um mestre antigo, Yui também fitava o investigador e tomou a palavra
- o que o senhor deseja?
o detetive se aproximou do pequeno senhor e o olhou nos olhos e de cara já foi perguntando:
- quando foi a ultima vez que o olho da cidade velha esteve aqui? quem eram seus clientes?
o chinês fez o gesto como se convidasse o detetive pra entrar, esse foi seguindo o pequeno homem para o interior do local, la dentro eles subiram para a casa e durante o trajeto Humberto pode ver seus vários artigos estranhos que iam desde mantos persas ate fetos  e olhos humanos em conserva, provavelmente o velho também poderia estar envolvido com o tráfico de órgãos, a policia não dava muita atenção a esse tipo de atividade criminosa pois geralmente produzir um órgão artificial era mais barato do que rouba-lo de alguém, o problema maior estava em que nem sempre estes serviam nos seres humanos ou então eram alterados para outros propósitos, transplantar um órgão assim era algo muito sofrido e só se envolvia nesse mercado quem realmente não tinha nada a perder, Yui servia um chá quando o detetive quebrou o silencio refazendo a mesma pergunta que havia feito do lado de fora, o chinês que na sua frente agora bebia o chá lhe respondeu com toda a calma.
- a muito sai do negocio de sintéticos.
- não foi isso que eu lhe perguntei, estou investigando um assassinato, encontramos o corpo do Sérgio olho ou o que restou dele e agora estou na cola de quem esta promovendo esses assassinatos em série.
- o olho trabalhou comigo quando estávamos produzindo dm-9 no quintal de casa, meu objetivo não era lucrar com a droga, queria apenas avançar minhas propriedades mágicas nos meus encontros com baal.
um arrepio percorreu a espinha do detetive que em seguida perguntou.
- quando foi o ultimo contato de vocês?
- já faz algum tempo que não falo com ele, pouco antes da policia me prender ele fugiu pra cidade velha, disse que os grandes negócios o aguardavam por la, não acreditei muito nele, achei que estava louco aquele lugar é só ruína... ruína e mutantes. não sei como alguém pode fazer dinheiro no esgoto ainda que com drogas.
- qual era a ajuda que o olho precisava de você?
o velho sorriu, em seguida respondeu com outra pergunta.
- no que você acredita detetive?
o detetive não entendeu a pergunta e insistiu em saber qual era a contribuição do chines pequenino que lhe respondeu em seguida.
- o olho queria desenvolver um novo tipo de dm-9 um que fosse ainda mais perverso que o anterior, eu não entendo de ciência, isso ficava a cabo do próprio olho que era especialista na area, minha contribuição era um pouco mais mistica, como eu já disse anteriormente eu tenho propriedades mágicas e sempre tive contato com o mundo das trevas, minha tarefa era ir la colher conhecimentos sombrios pra formula do super dm-9, aquela porra é uma lenhada na mente, você literalmente flutua entre os dois mundos.
Yui terminou sua fala com uma risada alta, recuperou o folego e completou.
- não sei quem fatiou o olho mas esse deve ter sido vítima de sua própria criação, acho que algum dos seus clientes perdeu o controle sobre si.
o detetive terminou seu chá se despediu do velho e voltou pro seu carro, ao se sentar no banco viu o velho escorado na porta com uma cara medonha, ele sabia de mais coisas mas não ia conseguir arrancar-lhe assim, precisava investigar mais, mas agora ia pra casa, sua noite de trabalho havia encerrado e precisava de um descanso.

    O apartamento do detetive Humberto Guedes não ficava muito longe dali, morava em uma cobertura de um prédio confortável, a construção era antiga e já havia passado por várias reformas, havia sido automatizada a pouco tempo mas mesmo assim mantinha os aspectos dos velhos tempos, vivera ali a alguns anos, comprou o imóvel junto da já falecida esposa e não se desfizera dele assim como todas as outras coisas dela, todas aquelas lembranças, guardava tudo com carinho e seu nome ecoava por todas aquelas paredes durante sua solidão, era complicado dividir aquele apartamento com seus pensamentos e a fumaça do seu cigarro, a cidade amanheceu nublada e a falta de sono acompanhava, começou a se retorcer e a procurar uma posição mais confortável pra relaxar, quando percebeu que o sono não ia vir resolveu se levantar pra pegar mais um cigarro, quando abriu seus olhos... havia alguém dentro de sua casa.

    O sargento Gonçalves estava almoçando frutos do mar com refrigerante de mel, quando avistou o detetive que se sentou em sua frente e pegou o cardápio e fez seu pedido.

   - acho que vou a cidade velha essa noite, é pra la que aponta tudo que eu tenho investigado.
   - detetive confio no seu trabalho e acho ótimo que esteja ótimo que esteja investigando tudo, mas devo alerta-lo que aquela região não é nossa área, você sabe que a investigação trabalha com inteligencia social, alguns de nós ate são ótimos torturadores políticos até, brilhantes carreiras mas a contenção de ordem que faz é o asa negra, eles sim vão na cidade velha de vez em quando dar uns tiros em mutantes pra dar um recado e mante-los inócuos, o asa negra nunca vai assinar essa investigação, se você for... vai sem reforços... pra cidade velha, acha que vale a pena arriscar o pescoço por esse sistema?
   - ...
   - quem se importa com uma puta e um traficante? na cidade norte vivem o auge do seculo vinte e dois, estão sempre procurando uma maneira diferente de divertir suas perversidades. Naquele momento o som do telefone do sargento tocou e imediatamente cessou a conversa, era o cabo Altamira informando de uma ocorrência da Sydnei com a Bronson, chegando lá sentia que não estava preparado para aquilo, um casal, o rapaz que trabalhava como atirador de facas tentava pagar as despesas médicas de sua esposa que era cega, essa por sua vez foi a nova a vítima da brutalidade da cidade norte. eles eram dois pobres coitados, o rapaz não conseguia se controlar em choro, o detetive ficou sabendo que seu nome era Gean Sobral e que viera de outra cidade menor em busca do tratamento.
 
depois de recolhido o corpo o detetive depois de analisar a cena foi fazer umas perguntas e descobriu que uma criança filha de uma vizinha do casal havia visto o homicida, disse que ele tinha uma cor de pele estranha com um aspecto morto, seus dentes eram amarelos e pontudos, seus olhos fundos como a doença, o detetive de imediato se lembrou daquela manhã depois que abriu os olhos, viu exatamente essa figura abaixada no corredor lhe olhando com olhos de admiração, foi a coisa mais horrenda que já vira, seu corpo perdeu completamente suas funções, a criatura ficou ali imóvel me olhando e não sabia o que ela queria, de repente consegui recuperar o movimento do corpo mas meu corpo parecia anestesiado, minha consciencia começou a diminuir e pude ver a criatura escrever algo com uma faca no chão. o detetive despertou algumas horas depois e quando se recobrou do que tinha visto foi ver o que estava sendo riscado e o que tinha era "o olho te vê."
 
"Pelas pessoas" pensou o detetive depois de conseguir digerir tudo aquilo, naquele momento ele não sabia se devia contar o que tinha visto para o sargento por que não havia marcas de arrombamento nem qualquer outra pista deixada pelo medonho, poderia se passar por louco ou estressado com o trabalho a ponto de pirar, resolveu voltar a sua casa e enquanto esperava sua pizza ficar pronta na cozinha automatizada, foi em seu quarto e abriu a cabeceira da cama e lá encontrou dois objetos um era a foto de sua esposa mostrando um belo dia no parque, "sim a cidade norte tem parques bonitos apesar de tudo", depois lembrou do pobre casal, o outro objeto que estava na gaveta era sua pistola calibre 1,5, com munição de hidrogênio 3, naquele momento ele sabia o que devia ser feito.

    "a cidade velha" era assim chamada o empilhado de estruturas de concreto que outro hora fora moradia de centenas de pessoas, foi por volta do ano de 2073 que estourou a guerra de damasco, e a antiga cidade almirante norte foi devastada, as armas químicas usadas detonados pelos jatos sônicos de alta performasse não prejudicaram muito essas estruturas, apenas as envelheceram e fizeram com que se deteriorassem mais rapidamente, já as pessoas que la moravam não tiveram a mesma sorte, a maioria morreu de forma agonizante na hora, outras adoeceram e algumas sobreviveram com fortes sequelas, esses que sobreviveram tiveram ajuda negada pelo estado maior que estava ocupado se concentrando na guerra, voltaram a morar nos escombros de seus lares antigos, quando veio a nova geração de imediato se percebeu em suas aparecias as deformações que os faziam parecer ainda menos humanos, graças a ciência paralela praticada ilegalmente por criminosos cientistas que exercessem seus experimentos no submundo, algumas propriedades dessas mutações conseguiram ser alterados e assim nasceu uma nova cidade a sombra da cidade norte, a cidade norte é conhecida por abrigar as piores gangues que esse seculo já viu, seres modificados geneticamente que caem na marginalidade e assombram ainda mais a realidade dos moradores da cidade norte, era um pouco mais de 300 km² de escombros e submundos que aquele lugar se estendia e o detetive sabia como entrar e sair de lá, incontáveis missões de infiltração de todo tipo lá, conhecia boa parte daquele, sabia onde buscar refugio e por onde era mais perigoso.
    Depois de dirigir por algumas horas chegou o carro do detetive chegou pelas redondezas da antiga almirante norte pelo lado sul, era onde funcionava um comercio de especiarias e comida, os mutantes e os humanos que lá viviam desenvolverão seus métodos de cultivo e criação de insetos e pequenos animais para a alimentação, também era comum a fabricação de armas e de drogas. eles dificilmente aceitavam o dinheiro do estado maior, dependendo do tipo de produto ou serviço alguns comerciantes trocavam favores e influencia, existia também um sistema de créditos computadorizados mas assim como o dinheiro não era absoluto pois muitos não confiavam em dinheiro eletrônico, o detetive se dirigiu a barraca do Naskara um velho amigo e informante daquele lugar.
    - olha quem vem ai, se não é o bode velho do detetive Humbergo Guedes, em seguida riu de alegria.
    - boa noite seu mutante monstrengo. respondeu o detetive.
    Naskara tinha 41 anos e mas já parecia um ancião, nascera com várias deformações nas juntas que lhe causaram muita dor, mas graças a membros biônicos que implantara quando tinha vinte anos, a dor não passara completamente e Naskara tinha que recorrer a fortes analgésicos que lhe consumiam a juventude, apesar do estorvo de sofrimento Naskara era uma pessoa feliz e passava seus dias trabalhando como negociante de plantas, era um dos que liderava a força de combate e proteção dos logistas da área e de longe era alguém desprotegido, conseguia acertar um alvo a quase 100 metros de distancia com um único disparo, de rifle laser, também trabalhava como mecatrônico de armas laser, fazia consertos e melhorias em quase todo tipo de armamento. Depois de conversarem sobre a investigação que estava em curso, Naskara chamou o detetive pra ir a sua casa para que pudessem conversar mais sossegados, a jantar foi servido pela esposa da Naskara, Rosa, que era uma humana normal sem mutações na cidade velha quando criança, o velho mutante deformado a adotou e sempre lhe protegeu e deu carinho, Rosa cresceu e se apaixonou por ele, "o mutante velho e a humana amorosa formam um belo casal" pensou o detetive, depois do jantar os dois se sentaram na sala e voltaram a conversar sobre a investigação.
   - o mercado de dm-9 funciona no centro-leste da cidade unica (era assim que eles chamavam a cidade velha), ouvi dizer a uns meses atras que estava rolando uma guerra de gangues muito violenta na região e uma gangue chamada "a marca da besta" assumiu o território, desde então esse dm-9 novo apareceu assim como uma onda de terror tomou o centro da cidade, a marca da besta costuma aparecer a noite e suas vitimas são sempre mortas de maneira brutal, alem de tudo dizem que a gangue se alimenta dos próprios inimigos que são canibalizados depois dos confrontos.
   - vejo que o lugar ficou um pouco agitado desde a ultima vez que vim aqui.
   - eles ainda não se meteram a besta com a gente, ou nossos fuzis vão esquentar ate arrancar a marca da besta (nesse momento Naskara riu alto),  mas pra quem mora no centro da cidade única tem sido tempos difíceis.
   - preciso ir velho amigo, vou investigar o centro e ver o que posso descobrir sobre o assassino.
   - não se vá assim de mãos abanando amigo, tome, pegue isso. o brilho negro da falconi dx-3 era lindo, a submetralhadora de projéteis de calibre 10 que podia ser equipada na parte de trás do braço e se projetava pra frente sempre com um comando de voz, ela vinha com uma lente que dentre várias funções enxergava o calor e na ausência de luz. O detetive agradeceu, abraçou o amigo e prometeu visitar o amigo caso sobrevivesse e depois partiu.
   eram por volta de meia noite quando o detetive chegou a rua central, uma avenida que atravessava o centro da cidade velha de uma ponta a outra quando ouviu um grito, estacionou seu carro e sacou sua pistola laser que mais parecia um canhão, e foi em diração aos gritos que ficavam em um beco, chegando la a cena que viu foi de três homens com a aparência semelhante ao humanoide que esteve em seu apartamento derrubando e indo pra cima de uma moça que devia ter por volta de 15 anos, ela ia no chão se afastando e gritando, quando ela se deu conta uma chuva de miolos veio em sua direção lhe sujando a roupa e os braços, um de seus agressores cairá no chão imóvel com a cabeça esfacelada e queimada, o cheiro de carne e sangue queimado tomou conta do lugar e nesse momento os outros dois se viraram em direção ao detetive, o primeiro sacou uma pistola de projéteis 0.9 milímetros e preparou para a ação se escondendo e pegando cobertura atras de uma lixeira de ferro fundido. o segundo o detetive não pode acompanhar para onde ia por que estava impressionado com a velocidade do movimento do primeiro. Vários disparos acertaram a parede em que o detetive estava se esgueirando a pobre moça permanecia imóvel e não conseguia nem gritar de tamanho pavor com a situação, o detetive trocou tiro com o homem de aparência demoníaca, intensamente, quando percebeu que o fluxo da sua pistola estava diminuindo foi recarrega-la trocando a célula de hidrogênio, foi quando percebeu que um dos dois estava chegando perto dele, trocada a célula o detetive disparou imediatamente contra ele, que de repente se movera rápido e agora estava corria usando os braços e as pernas pela parede, o detetive se assustou com aquela capacidade e voltou a disparar contra o membro da marca que continuava a vir em sua direção com mais velocidade, quando esse saltou em sua direção o detetive se jogou pro lado e o mutante bateu contra uma parede, o detetive imediatamente ergue uma pedra que devia pesar uns 10 kg a altura dos ombros e a soltou contra a cabeça do criminoso que foi esmagada como um mosquito depois de levar um tapa. O segundo Gangster mutante escutou tudo correu pra pegar uma granada que havia caído no chão enquanto ele avançava na moça, estava correndo em direção a granada que estava bem no meio da linha de tiro quando de repente uma janela explodiu ao seu lado, o detetive vinha pulando com uma barra de ferro que usou pra dar vários golpes no mutante que havia sido surpreendido.
   Resolvida a situação o detetive se virou em direção a moça que ainda estava assustada e suja de sangue.
   - Mora pelas redondezas?
   - Ssi.. si.. sim, respondeu a moça gaguejando
   - Onde posso encontrar o esconderijo da marca da besta?
   - No subsolo da velha estação de trens magnéticos.
    O detetive levou a menina pra casa e a entrou pra sua mãe que estava aos prantos, depois disso se dirigiu pro beco e se pôs a fitar o gangester que ele havia abatido por ultimo, começava a dar os primeiros sinais de que estava recobrando a consciência e em poucos segundos se recordou o que tinha acontecido e se pôs assustado a procurar por sua pistola. O detetive que fumava um cigarro calmamente apontou pra pistola destruída por um tiro laser logo abaixo de seus pés.
    - O que você sabe sobre os assassinatos que vem acontecendo na cidade norte?
    - hahahaha, ele disse que você viria detetive. disse que viria e que deixássemos contemplar a glória do infinito, você vai beber de nosso sangue, comer de nossa carne e entenderá que na eternidade não serás sozinho, hahahahahaha.
    - Seu saco de drogas, estou começando a me irritar e minha arma ainda esta quente, viu o buraco que fiz na cabeça do seu amigo, eu juro que quando eu terminar com você vai implorar que eu te mate, e eu não vou te matar seu lunático. Em seguida disparou com a pistola canhão no braço esquerda do mutante que de imediato o transformou em um espatifado de carne moída, o mutante deu um urro de dor e se jogou no chão e aos poucos o urro foi sendo substituído por uma gargalhada histérica.
    - A DOR LIBERTA, A DOR LIBERTA, HAHAHAHAHAHA. o mutante gargalhava histericamente e de repente pareceu sofrer uma convulsão. "o olho te observa" disse antes de morrer.
    O detetive nunca tinha visto tamanha loucura antes, já tinha visto de todos os tipos menos de um que leva um tiro de um Coltcanon de laser e ri. a tal estação não ficava muito longe dali e o detetive resolveu ir a pé para não chamar mais atenção do que já tinha chamado, virou no beco a esquerda e depois a direita, o cheiro de lixo e carniça era forte e pra completar o local também era pouco iluminado, a esquerda, a direita, o local estava demorando a chegar bem mais do que o detetive havia calculado foi quando percebeu que não sabia por onde tinha vindo, aquilo não era normal, não existiam becos daquele tamanho, se pôs a andar mais em busca de qualquer saída dali, nada, o detetive começou a sentir um mal estar e que foi tomando conta da sua cabeça, tudo girava, ele resolveu se sentar e tomar um pouco de ar pra recobrar os sentidos, quando sentiu uma sensação horrível, um medo lhe subia pela espinha e começou a perceber que as paredes se mexiam, de repente escutou um grito agudo de algo que não parecia ser humano, era agudo e parecia sufocado e vinha ficando mais alto e mais alto, foi quando viu a parede a sua frente se tremendo, o grito vinha de dentro da parede, o detetive pegou a visão de calor de sua submetralhadora e aponto pra parede e o que pode ver era uma massa disforme que se transportava atras ou por dentro daquela parede, quando tentou se afastar percebeu que seus pés não se moviam, olhou para o chão e um par mãos negra saídas de uma sombra seguravam seus tornozelos, o grito abafado entrava pelos ouvidos e parecia dominar sua mente, o detetive escutava sussurros, gritos, varias vozes que pareciam implorar por perdão ou se confessavam em sussurros, de repente as vozes pareciam sair de dentro da cabeça do próprio detetive e agora ele podia ver suas faces, la estavam todos eles, todas as vítimas, ele pode ver a pobre moça cega que era casada com o atirador de facas, todos os rotos surgiam e despareciam em uma massa disforme vermelha que se erguia em sua direção de um abismo infinito, "pelas pessoas" pensou o detetive e em seguida forçou sua mente a despertar daquele transe temporario, voltou a sí e fez força pra livrar os pés, fez muita força e conseguia saltar pra longe deixando a granada sem o pino em em frente a tal parede, se levantou e correu a passos largos e a granada explodiu derrubando aquela parede, ele pode ver a mesma massa desforme que agora saia de dentro da parede e vinha em sua direção, no centro dela surgiu um rosto que mais parecia uma máscara de porcelana com feições finas, o detetive disparou contra uma estrutura de ferro que estava logo acima da criatura que a fez desabar sobre a criatura, o detetive deu dois disparos na "coisa" que se pôs a fugir entrando de volta na parede e emitindo agora um urro de medo.